Inteligência emocional a seu favor

Inteligência emocional a seu favor

Há anos escrevi um texto sobre inteligência emocional e como ela é impactante na profissão de assistente executiva. Hoje, já com enfoque em outro segmento de atuação, a tradução, resolvi voltar a esse tema que não se perdeu com o passar dos anos e que pode influenciar os profissionais de todas as áreas. Afinal, o seu conceito é psicológico e nós, seres humanos, com diferentes e, às vezes, indescritíveis reações, somos pessoas que conseguem expressar os mais complexos sentimentos. Porém, nos falta a capacidade de reconhecê-los e avaliá-los, assim como a sabedoria ao lidar com toda essa profunda e densa carga de emoção que enfrentamos no nosso dia a dia.

Está mais do que batido na mesma tecla que a profissão de tradutor é, na maior parte das vezes, solitária. Claro que temos um amigo constante, o nosso grande computador, mas ele não costuma reagir aos nossos impulsos nervosos, salvo aqueles que sofrem algum fenômeno paranormal e resolvem se rebelar travando ou se recusando a ligar.

Horas e horas de dedicação em cima de textos extensos, com pressões de prazo de entrega, com a conexão que resolveu ficar lenta, mesmo de posse do melhor provedor do planeta, com aquele revisor que discordou de alguns termos que você utilizou, com o programa que travou, com interrupções inesperadas, com discussões nas redes sociais, com, com, com… Ufa! E nem chegamos à metade.

Tudo isso junto gera um desequilíbrio interno e faz com que você automaticamente tenha reações que não teria em outro momento mais ameno. Uma das vertentes da inteligência emocional é o “controle emocional“. Esse equilíbrio faz com que você tenha lucidez para manter o foco no seu objetivo, mesmo que o mundo esteja desabando ao redor, nas devidas proporções, é claro.

Para que possamos conseguir esse controle é preciso ter um “autoconhecimento emocional”. Nesse caso, um espelho é o instrumento certo. Sabe aquele espelhinho da carteira? Finalmente, ele vai servir para alguma coisa… rs. O objetivo é enxergar a nossa imagem verdadeira, aquela que fica lá atrás de um cabelo bem cortado, de uma maquiagem bem feita e de um visual da moda. O autoconhecimento das emoções interiores permite que você identifique com mais clareza os pontos positivos que devem ser sempre destacados e aqueles que precisam ainda de uma aparadinha nas pontas. Procure conhecer a si mesmo primeiro e assim terá condições de compreender o outro.

Outra vertente da inteligência emocional é a “empatia”. E não se deixe enganar achando que empatia é sorrir para todo mundo e dizer amém a todas as coisas. Empatia é ser verdadeiro, é compreender o outro, respeitá-lo, colocar-se na posição de receptor e conseguir entender o que ele quer transmitir. Isso torna-se difícil porque, às vezes, procuramos manter o nosso posicionamento a qualquer custo e não paramos para analisar o da outra pessoa, os seus motivos para determinada postura ou para aquele comentário específico. Colocando-se no lugar do outro fica um pouco mais fácil de entender o que ele quer expressar e buscar, dentro do equilíbrio, o melhor contra-argumento possível, gerando uma discussão saudável, de alto nível.

Automotivação” é o item que mais me influencia e que também faz parte da inteligência emocional. Em quase todos os eventos em que participo, seja pessoal ou virtualmente, encontro pessoas receosas em trilhar novos caminhos, em acreditar sem si mesmas. Isso, às vezes, decorre de situações vividas no passado, como por exemplo bullying, do receio da opinião de terceiros, da insegurança, do medo do “não”.

É isso o que devemos fazer. Acreditar em nós mesmos. Nós conhecemos o nosso potencial, como somos capazes, o que podemos aprender e desenvolver. Então, por que deixar que opiniões contrárias apaguem o nosso brilho? Não permita que ninguém decida por você. Você tem sua luz interna, mas se não se mostrar, se não acreditar, se deixar que ela fique escondida dentro de você, ela não poderá externar o seu brilho.

Confiar em si próprio, relacionar-se bem com as outras pessoas, canalizar as suas emoções em prol de um objetivo positivo, manter o equilíbrio e o controle emocional são só alguns aspectos que fazem parte da inteligência emocional. Há muitas outras particularidades que podem ser esmiuçadas, mas procurei falar das que considero principais e que afetam sensivelmente o nosso progresso pessoal e profissional.