Como criar um glossário

Quem é tradutor sabe que o glossário é imprescindível na tradução, seja ela referente ao gênero audiovisual, editorial ou técnico.

Projetos e/ou produções audiovisuais volumosas podem ser divididos entre vários tradutores. E o objetivo do glossário é justamente preservar a coerência da unidade lexical no texto traduzido.

 

Como criar um glossário

Você pode criar um glossário, por exemplo, pelo bloco de notas (formato .txt) ou pelo Excel; este último, o meu preferido. No bloco de notas, é só digitar o termo de partida/fonte/original, clicar na tecla TAB (tabulação) e incluir o termo de chegada/alvo/traduzido. Já o Excel possibilita a inclusão de informações adicionais e relevantes ao termo por meio de colunas, além de melhor visualização. É o que veremos a seguir. Mas o mais importante é que o programa seja de fácil operacionalidade e que o arquivo gerado possa, se necessário, ser convertido em um formato apropriado à CAT tool que estiver utilizando.

 

O que incluir em um glossário?

Como disse anteriormente, prefiro o Excel porque consigo incluir nas colunas muitas informações sobre a tradução do termo original, por exemplo: comentários, imagens, validação (fonte de pesquisa), solicitações do cliente, etc. Vejamos a seguir o detalhamento dessas colunas.

Colunas de termos (partida/chegada)

Na primeira coluna, você inclui o termo original e, na segunda, a sua respectiva tradução. Se para o termo houver mais de uma tradução, use o ponto e vírgula ou a barra vertical para separá-las.

Nota: dependendo da CAT Tool, ela não reconhece o ponto e vírgula. Nesse caso, você terá que incluir as traduções em linhas diferentes. Veja o exemplo abaixo:

 

Coluna de comentários

Aqui, você poderá incluir quaisquer observações que julgar necessárias sobre o termo escolhido para um projeto específico, incluindo: os motivos da escolha daquele termo, se a palavra será usada em maiúscula ou minúscula, se o termo permanecerá no idioma original e qualquer outra explicação que valide a sua opção. Exemplo:

 

Coluna de validação

Podemos incluir mais uma coluna para validar a fonte da qual você extraiu o termo de chegada; nesse caso, a versão em inglês. O objetivo aqui é comprovar que o termo escolhido é verídico, foi obtido de uma fonte confiável e pode ser utilizado. Exemplo:

Nota: observe que não é preciso validar todos os termos. A palavra traduzida “file” já é conhecida e usada regularmente em um contexto geral, por isso não a validamos.

 

Perguntas frequentes

1. Por que tenho que validar algo que já está no dicionário?

Porque uma determinada palavra pode ter vários significados e você precisa ter certeza de que está utilizando a terminologia correta.

 

2. Encontrei o termo no dicionário. Preciso validar assim mesmo?

Há dicionários passíveis de erros. A confiabilidade é um fator imprescindível ao tradutor. Não há como confiar cegamente, sem pesquisar; a validação do resultado ao qual você chegou servirá para os seus projetos futuros. Portanto, é melhor perder tempo agora do que o cliente depois.

 

3. Posso confiar nos glossários compartilhados por terceiros?

Glossários técnicos, por exemplo, possuem terminologias muito específicas. Na minha opinião, até mesmo um glossário criado por alguém formado ou com ampla experiência em uma determinada área e com embasamento dos termos por meio de fontes confiáveis (órgãos, instituições, empresas, etc.), exige a sua validação.

É preciso ter cautela, pois um determinado termo/vocábulo pode não ser o mais adequado para o projeto de tradução que esteja realizando. Um exemplo bem simples é a palavra “toothpaste”, cuja tradução “creme dental” é muito utilizada hoje em dia, principalmente pelas empresas do segmento odontológico. Seu cliente pode rejeitar esse termo e preferir “pasta de dente”, que já consta em seu material institucional.

Por isso, a coluna de validação do seu glossário no Excel é importante. Você terá certeza de que estará utilizando o termo certo para aquele cliente específico.

 

4. Quantos glossários preciso criar?

Esse é um critério muito pessoal. Minha sugestão é que você elabore um glossário para cada projeto/cliente e outro geral, específico da área. Por exemplo, um glossário financeiro:

– Glossário cliente Banco A;

– Glossário cliente Banco B;

– Glossário geral do segmento bancário, com termos usados pelos dois bancos, “for my eyes only.

Mas como falei, é pessoal; depende do que for melhor para você e para os seus projetos.

 

5. Devo compartilhar os meus glossários com os clientes?

Depende. Há clientes ou agências que questionam a possibilidade do envio do glossário ou até mesmo solicitam esse envio. Neste último caso, eu enviaria apenas o glossário com a terminologia específica, excluindo o termos gerais. Mas isso depende do acordo entre você e o cliente.

Tudo o que foi exposto acima é mera sugestão, pois você tem o livre arbítrio de criar o glossário e fazer uso dele da maneira que julgar mais adequada. O importante é que você se habitue a usar glossários, pois eles serão os seus parceiros, se souber fizer a lição de casa direitinho.