A ética nas redes sociais

A palavra e o conceito de ética estão presentes em todos os veículos de comunicação para que as pessoas se conscientizem da importância da cidadania e da responsabilidade social. Mas o que é ser ético? É ser íntegro, honesto, correto e justo, respeitando as diversidades existentes, sejam elas étnicas, culturais, políticas ou religiosas.

Na minha opinião, acrescentaria o bom-senso como parte integrante da ética que, por sinal, deveria ser posta em prática todos os dias, principalmente nas redes sociais onde há inúmeras postagens que acabam gerando discussões e conflitos acalorados, simplesmente por divergências de opiniões.

Para que você consiga entender melhor, vamos nos aprofundar um pouquinho mais no assunto. Veja, se você compartilha algo em um grupo é porque você quer que as pessoas deem opinião sobre aquilo que você postou, seja por meio de emoticons ou por comentários. Algumas concordarão com a sua publicação; outros, terão opiniões opostas.

Feedback positivo é bom e quem não gosta de recebê-lo, não é mesmo? Mas e quando as opiniões sobre o que você postou resultam em efeito contrário? É aí que mora o perigo porque certamente haverá discussões. Se essas discussões forem mantidas emocionalmente equilibradas, mesmo sem consenso sobre o assunto em questão, no fim todos flutuam e tocam harpinhas. No entanto, se houver ausência de equilíbrio emocional e ética por parte dos envolvidos, os anjinhos do paraíso viram guerreiros medievais e o resultado são críticas destrutivas, espalhadas pelo campo de batalha virtual.

Quando as pessoas estão expostas a um nível de estresse muito elevado, muitas vezes, elas se colocam na defensiva e não procuram entender o motivo de uma postagem, de uma determinada pergunta ou de um comentário. Se algo diverge do que pensam, a crítica é imediata. Mas antes de criticar é necessário compreender todo o contexto.

Os que possuem equilíbrio emocional e ética lerão o post e, se não concordarem com o que foi publicado, argumentarão de forma concisa e educada, em respeito ao colega. Caso não cheguem a um acordo mútuo, encerrarão a discussão e ponto final. Outros, porém, deixarão que os conflitos emocionais venham à tona e tentarão, às vezes, impor a sua opinião a qualquer custo, com a alegação de serem mais velhos, mais inteligentes, com mais maturidade, mais estudo… em uma atitude agressiva e antiética.

Outro fato muito comum em redes sociais é a publicação de projetos de colegas atrelados a comentários negativos, com a menção de erros, etc. Esse é um tipo de postura antiética.  Mesmo que a intenção seja somente a de mostrar “o que deveria ser evitado”, o efeito borboleta pode causar uma reação adversa.

Quem gostaria de ver o seu trabalho mal avaliado publicamente? O projeto do colega pode até conter falhas, mas criticá-lo em uma rede social mostra ausência de ética profissional. Por isso, um dos princípios da ética é saber ouvir, entender e compreender os demais. Se tiver alguma crítica, faça-a em particular, mas não na frente de terceiros. Temos conhecimentos, percepções e entendimentos diferentes sobre um mesmo assunto, mas isso não nos diminui frente a outros colegas.

O relacionamento interpessoal não é fácil, pois estamos lidando com sentimentos. Mas saber conviver socialmente é um aprendizado, um exercício de flexibilidade, resiliência, compreensão e respeito. E o autoconhecimento tem aqui um papel fundamental. Quando você conhece os seus limites e sabe até que ponto pode continuar em uma discussão, sem ser lançado em órbita feito um foguete, já é um aspecto positivo. Analise os seus impulsos, veja o que o incomoda, busque a fundo o motivo de não conseguir argumentar de forma racional, sem deixar que as emoções aflorem e gerem um conflito desnecessário.

É difícil mudar a nossa postura de uma hora para outra. Entretanto, temos que começar, temos que dar o primeiro passo. O importante é tomar a iniciativa e agir dentro do que é correto e justo e, principalmente, com bom-senso.

Uma frase de Lao-Tsé que expressa bem o objetivo deste post: “Uma longa viagem começa com um único passo”. Dê o seu!